Domingo, Novembro 15, 2009

A aposta.

Arthur era um homem prático a sua maneira, não gostava de deixar nada para o outro dia e sendo assim, ao descobrir que sua mulher andava se enrabichando para outro homem, resolveu da melhor maneira que podia, contratou Pedro para dar uma surra de advertência no elemento.

A mulher de Arthur, Hadit, era realmente linda, peitos pequenos e durinhos, uma bundinha linda redonda e as pernas, era a perfeição, mas Hadit era uma mulher fogosa e Arthur um homem com pouco tempo para o amor, por isso quando Clodoaldo lhe sorrio maliciosamente pela primeira vez ela adorou.

Pedro era um desses caras que não dispensa um bom dinheiro, mesmo sendo amigo intimo de Clodoaldo não dispensou a oportunidade de ganhar com sua sorte, porém não era um homem dado a violência prática e por isso levou consigo João, um homem que gostava de dar umas boas mãozadas e se ainda ganhasse por isso era ainda melhor.

Clodoaldo era um cara bonito, um homem sem escrúpulos amorosos, solteira, casada, viúva, ele não tinha problemas com nada, “o importante é ser mulher”, repetia sempre a todos que podia, quando viu Hadit pela primeira vez teve um súbito desejo de tê-la e não tardou a trabalhar a pequena.

Era duas da tarde quando Pedro e João cruzaram com o carro por Clodoaldo, ele ao avistar o carro acelerou os passos, mas não houve jeito, “Entra no carro”, brandiu Pedro para Clodoaldo e João se fazendo ver soltou um sorriso. Sem outra alternativa Clodoaldo entrou e sentou-se no banco traseiro.

- É o seguinte Clodoaldo, recebi uma grana pra te dar uma surra, você anda com uma mulher casada assim e coisa e tal.

- Mas Pedro eu ainda nem comi, estava indo agora fazer isso, olha tudo bem você me dar essa surra, mas me deixa comer.

Foi ai que João que estava até agora calado falou, usando um tom de gracejo.

- Você sabendo que vai levar uma boa surra, vai brochar na hora, tenho certeza que não come.

Pedro que não perdia a oportunidade de ganhar alguma “gaita”, pensou logo, “é agora que aumento meus ganhos” e propôs a João.

- Que tal apostarmos, cinqüenta contos como meu amigo Clodoaldo come a dita cuja.

- Pois eu aposto contigo Pedro e nem pense que vou maneirar contigo Clodoaldo, vais levar uma surra das boas.

E assim os três se dirigiram para o local que Clodoaldo e Hadit haviam combinado, um apartamentozinho de um amigo de Clodoaldo, ele entrou e após dez minutos foi a vez de Hadit entrar, passaram-se pelo menos duas horas antes de Hadit descer sorridente, um sorriso desses de mulher que foi bem comida.

- Esse sorriso é prova inconteste, meu amigo Clodoaldo fez o trabalho na pequena.

Falou maliciosamente Pedro estendendo a mão para João colocar os cinqüenta contos.

- Não acredito que o cretino conseguiu fazer o pau levantar sabendo que vai levar uma surra.

Brandiu João, que sem maiores cerimônias pagou a Pedro. Dez minutos se passaram até que Clodoaldo com um sorriso vitorioso descesse a escadaria, sem nenhuma resistência sentou-se no banco traseiro e disse.

- Pode me bater agora, agora sim eu mereço, comi e que comida.

João parecia fumaçar de raiva, passou para o banco de traz e não tardou a começar a dar bons safanões em Clodoaldo que rezava agradecido a deus e a seu amigo Pedro entre um gemido e outro.


Thyago C Correia
Novembro de 2009

Terça-feira, Novembro 10, 2009

A traição.

Rodrigo era um gordo de meia idade rico e bem sucedido, que casara com uma linda jovem 20 anos mais moça, Leda linda morena de seios durinhos, um belo par de pernas e uma bunda de fazer inveja a todas as madrinhas de bateria, e isso fazia de Rodrigo o homem mais cheio de certeza que se pode encontrar, apesar de nunca ter encontrado motivo algum, ele não tinha dúvidas, era corno.

- É batata senhor André, digo mais é batatíssima, minha mulher me corneia e eu quero que você descubra com quem.

Disse a André detetive particular que tinha contratado para seguir e descobrir as traições da mulher, André que não dispensa um bom dinheiro, nem pensou duas vezes antes de aceitar o caso e sair atrás de Leda, mulher de Rodrigo.

André logo na primeira semana constatou o que era sabido por muitos, Leda era uma verdadeira santa, mulher honesta e cheia de boa vontade, uma participante ativa das atividades da igreja.

Uma vez ou outra André tinha a quase certeza de pegar em flagrante Leda, mas sempre era surpreendido por alguma atividade de obra caridosa. Certa vez Leda saiu de casa com uma saia e uma blusinha que deixou André atordoado ele a seguiu avido de encontrar a mulher pulando a cerca, mas logo percebeu que ela estava indo ajudar a distribuir comida aos pobres.

No fim da segunda semana André foi até Rodrigo e disse:

- Santa! Sua mulher é uma santa, não te bota nem seque um único par de chifres, nem com fantasmas!

Rodrigo não quis nem saber, afirmou novamente seu conhecimento e pagou por mais três semanas inteiras e como Leda era realmente uma mulher que dava gosto de olhar, achou por bem atender o pedido do homem.

E mais três semanas se passaram com André olhando Leda e a desejando, já sonhava em pegar a mulher do “patrão” pulando a cerca e quem sabe fazer alguma chantagem com ela e ganhar ao menos uns beijinhos.

Para desespero de Rodrigo que não se conformava em não ser corno e para a tristeza de André que desejava ver alguma sacanagem com Leda, ela era uma mulher pudica, nada, nessas três semanas ela não traiu uma só vez Rodrigo, ela era uma mulher fiel.

Acabando as três semanas André foi até Rodrigo relatar que nada tinha encontrado que desacreditasse sua bela esposa.

- Santa! Sua mulher é uma santa, não te bota nem um par de chifres, nem com fantasmas!

Rodrigo ensaiou um protesto, quis levantar e brigar com André, pensava “Que canalha, contrato um detetive e o sacana não faz seu trabalho”, mas quando seus lábios começaram a se mover uma dor no peito o calou, levou aos mãos até o peito e num último suspiro se estatelou novamente em sua cadeira.

André tomou as primeiras providencias para salvar a vida de Rodrigo, levou ao hospital e avisou a possível viúva, esperou no hospital até sua chegada e depois ajudou a acalenta-la, quando o médico veio conversar com ela e dar seu parecer, André deu seu ombro e ajudou a se restabelecer.

- A senhora tem de trair seu marido ou ele vai morrer.

Por fim disse André a Leda que não pensou duas vezes, deu-lhe um tapa, daqueles bem sonoros, daqueles ardidos que doem mais na honra do que propriamente na alma, virou-se e apontou a saída do hospital sem mais olhar na cara de André.

Uma semana depois Rodrigo recuperado do seu infarte voltou pra casa ao lado de sua santa mulher, olhava pra ela com um ar de frustração, mas ainda sim com uma certeza, era corno. Leda olhava seu marido com tamanho afeto que não conseguia enxergar mais nada em sua frente, chegou em casa e o acomodou confortavelmente, depois tomou um banho demorado, se perfumou e por fim vestiu um vestido curto colado a seu corpo, foi até o marido deu-lhe um beijo e disse:

Tenho compromisso, não se preocupe em me esperar.

Saiu de casa e foi encontrar com André, que já esperava por ela no local onde tinham marcado.

- Amo meu marido, por ele até traio se for preciso.

Disse Leda meigamente, desabotoando a camisa de André e acariciando seu peito desnudo.

Thyago C Correia.
10 de Novembro de 09

Segunda-feira, Novembro 09, 2009

O velório.

Ele era desses caras que passa despercebido em qualquer lugar, desses caras que a gente nem vê, ele é o ninguém da repartição, o ninguém da rua, fora de forma, meio calvo e com os ombros caídos, Valdenei era assim, mas era casado com uma senhora de dar inveja a todo mundo, uma senhora linda e diga-se quase quinze anos mais nova que Valdenei.

Gislene, a mulher de Valdenei era a mais bela mulher da rua e comentava-se uma ninfomaníaca que enfeitava a cabeça de Valdenei com todos os pares de chifres possíveis, diziam que havia mais chifres em sua cabeça do que cabelos.

E é aí que entra Osvaldinho, jovem e bonitão, adorador de mulheres casadas, deflorador de virgens e bem, ele não “perdoa” mulher alguma e já andava se enrabichando com Gislene, ela que também não deixava homem algum “passar”, também dava sorrisos lascivos para Osvaldinho.

Mas até um pegador como Osvaldinho sabe que com certas mulheres não se pode fazer nada e qualquer mulher com que Lucimar estivesse era uma dessas mulheres que não se pode nem desejar e para desespero de Osvaldinho, Gislene e Lucimar estavam de caso.

- É batata! Morte certa, mulher de Lucimar não se pega, não se deseja.

Osvaldinho dizia aos ouvintes mais eufóricos e torcedores de seus casos com mulheres casadas e foi um dia que Roberval resolveu tomar partido e ajudar Osvaldinho.

-Alô! É o Valdenei, olha aqui é um amigo teu, tua mulher tá te traindo, ela ta agora com o Lucimar num lugar assim coisa e tal.

Roberval era provavelmente o único que olhava Valdenei como um homem de coragem, ele pensava que um cara como Valdenei matava por bobagem, matava o amante de sua mulher se encontrasse, mas nunca mataria a própria mulher, seu orgulho de corno era fatal, iria lá e dava um tiro nas fuças de Lucimar e deixa o caminho livre para Osvaldinho seu amigo.

Ao saber onde sua mulher estava com seu amante, Valdenei não pensou duas vezes, colocou o paletó, apanhou seu revolver botou no bolso interno do paletó e partiu sem falar nada, ao chegar no local abriu a porta e pegou no flagra sua mulher com Lucimar.

- Para fora daqui agora, antes que eu te der uns bons tiros nessa fuça!

Disse Valdenei para Lucimar e deu dois tiros em Gislene lavando sua vergonha, depois ao perceber o que havia feito deu um tiro em sua própria cabeça, acabando com a tristeza de ter matado sua mulher.

No velório, caixão um ao lado do outro era uma imensa romaria, um chororô imenso, as mulheres enlutadas do lado do caixão, os amigos da repartição ao lado do caixão do Valdenei lamentavam o triste fim do companheiro.

É quando entra completamente desorientado de tristeza Osvaldinho, ao lado de Roberval perplexo pelo desfecho, segurando o amigo que chora copiosamente, ao ver o caixão Osvaldinho se solta de Roberval e corre até o caixão de Gislene e em meio as lágrimas grita.

- Eu não comi!



Thyago C Correia
9 de novembro de 2009