terça-feira, março 21, 2006

Quem era ele?

Quem era ele?

Corro ferozmente até o fim da avenida. Avenida central. O vejo já dobrando a esquina da Piracotema. Tento correr, mas minhas pernas já não respondem meus comandos. Estou paralisado. Respiro fundo e tento novamente correr. Maldição ainda não consigo mover um músculo do meu corpo. Já faz cinco minutos. Ele deve estar longe. Nunca saberei quem ele era.
Ando calmamente de volta para casa. A imagem dele dobrando a esquina não me sai da mente. Para onde foi? Quem ele era? Talvez nunca descubra. Mas a vida tinha planejado algo mais. Estava só, sentado na cadeira de balanço. Ouvi um ruído. Vinha do quarto. Pensei: Será que é ele? Então corri até lá. Encontrei o vazio. Apenas a janela aberta e algumas coisas atiradas ao chão. Provavelmente o vento.
É madrugada e meu sono é uma porcaria. Acordo milhares de vezes durante a noite. A única imagem que me vem à mente é a dele dobrando a esquina. Para onde foi? Quem ele era? Talvez nunca descubra. Então me perguntei: Porque minhas pernas travaram? Não encontrei resposta. Novamente voltei a dormi e novamente voltei a acordar. Noite longa e cansativa. Acordei com olheiras horríveis.
Corro ferozmente até o fim da avenida. Avenida boreal. O vejo já dobrando a esquina da Pentecostal. Tento correr, mas minhas pernas... Minhas pernas disparam em direção a ele. Eu não consigo parar passo por ele e mal consigo vê-lo. Estou muito rápido. Eu quero parar, mas minhas pernas não respondem mais a meus comandos. Começo a ofegar. Estou cansado e não consigo parar. Ele deve estar longe agora. Nunca saberei quem ele era.
Estou na porta de casa. Corri até lá. A imagem dele ficando pra trás não me sai da mente. Para onde estava indo? Quem ele era? Talvez nunca descubra. Eu ainda não tinha recobrado o fôlego quando ouvi um barulho na cozinha. Corri até lá e não tinha ninguém. Estava tudo certo. Nada fora do lugar.
Marcos! Marcos! Ouvi alguém gritar meu nome. Marcos! Marcos! Continuavam os gritos. Comecei a sentir alguém me sacoleja. Mas como? Eu estava sozinho na cozinha. Como? Como? Fechei os olhos, respirei fundo. Quando abri os olhos estava deitado na cama. Minha mulher me chamava. Era hora de sair para o trabalho. Me arrumei com apenas um pensamento na mente. Quem era ele?


Thyago C Correia

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