Quarenta anos de reclusão
A noite alongava a cada trago. Ele estava em sua cama. Bêbado. Ela gritava por ele do lado de fora. Ele a ignorava desde a última hora que passou. Quando a encontrou nos braços de outro. Apenas uma hora e já estava bêbado. Contavam-se três garrafas de vodca.
Ela finalmente resolve pular a janela. Ele terminou a quarta garrafa de vodca. Estava caído na cama. Ela pediu com urgência uma ambulância. Coma alcoólico. Ele passou a noite num ambulatório. Ela do seu lado, não o deixou nem por um único minuto. Perto das duas ele tomou consciência. Ela ainda estava do seu lado.
Cai uma lágrima de seu olho. Tanto amor. Tanta paixão. Tanta devoção. Ela o traiu. Ele vira e vomita no pé dela. Ela fica aflita pensando no divorcio. Quem sabe ele a perdoou. Por Deus! Ele vomitou seu pé.
O divorcio saiu sem muita briga. Ela ficou com tudo. Ele resolveu morar em outra cidade. Ela já sem marido e com uma bela fortuna assumiu seu romance. Pouco tempo depois estava sozinha. O amante morreu num acidente de carro. Faltou-lhe freio. Ele sorriu com um alicate na mão.
Faz dois meses desde o divorcio. Ela bate a porta dele. Ele abre a porta com um sorriso e fala. “Me achou!”. “Te amo”. Ela disse. Ele sorriu e atirou na cabeça dela. O sangue espirrou por todo seu corpo.
Depois de matá-la ele liga pra policia e conta tudo. No dia do julgamento ele apenas sorrir afirmando tudo. Até a hora que o juiz concede a ele o direito de falar. “Me tiraram tudo que na vida importava, mas eu tirei deles a própria vida”.
Ele com paciência arrumou o carro do amante dela. Esperou o dia em que ela batesse sua porta. Atirou na cabeça dela sem remorso. Ele apenas sorrir. Sem lágrimas. Apenas sorrisos e quarenta anos de reclusão.
Thyago C Correia
terça-feira, julho 25, 2006
Quarenta anos de reclusão
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Thyago C. Correia
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12:51
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