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sexta-feira, novembro 11, 2016

Menina dos olhos de jabuticaba.

Minha menina, nasceste quando não mais esperava
As horas se passavam e eu, ansioso para ver-te
Tua mãe me falava calma e eu cada vez mais impaciente
Sonhando em te ter em meus braços, chorava

Então dentro de um silêncio ouvi que cantava
Eras linda, pequenina, encantava e obstante
Teu choro, meu choro, era motivo de rir constante
E contigo não sei, ainda hoje, quem que acalentava

Eu não estava preparado para te ver sorrir
Mas como desejei esse teu riso memorar
Cada dia da vida poder teu riso ouvir

Eu não estava preparado para te ver chorar
Te colocar nos braços, balançar e rir
Mas sempre estive pronto para te amar

Thyago C Correia
11/11/16
À Maya minha filha, pela imensa felicidade que é te amar.

segunda-feira, julho 11, 2016

Versos para Julho

Julho trouxeste para meus braços
O sorriso bobo e o amor gigante
A antipatia descontente, o amor latente
Trouxeste para mim, laços

Julho vieste e trouxeste abraços
Trouxeste o que há de aconchegante
Risos, carinhos, um amor elegante
Vieste e refizeste meu coração em pedaços

Fizeste tudo isso antes de mim
Antes de eu saber o que viria
Antes de saber o aroma do jasmim

Num dia onze, tu conseguirias
Julho meu amado curumim
O amor de ti floresceria

Thyago C Correia
11 de Julho
Mãe, obrigado por tudo.

quarta-feira, março 02, 2016

Soneto ao terceiro

Primeiro se fez valer a palavra amar
Era o verbo perfeito, que se fazia nascer
Depois que o coração parou de bater
Surgia então uma nova safra espetacular

Primeiro se ouviu o choro do jubilar
Um canto lindo de bem-me-quer
Alegria que não cabe em um ser
Era um sem fim de um amor exemplar

Entoou-se o melhor riso juvenil
Dourado como o ouro, um berloque
Numa linda tarde de abril

Então em romaria, um animado batuque
Num ritmo frenético, apoteótico, febril
Anunciando que nascia meu moleque

Agosto de 2015
Thyago C Correia

quinta-feira, maio 29, 2014

A meu pai morto

A meu pai morto

Podre meu pai, tamanha tristeza
Segue teu caminho para o além
Que sigo o meu tentando fazer bem
Era teu desejo tenho essa certeza

Podre meu pai, a morte ti diz amém
Segue teu caminho cheio de grandeza
Tu que para muitos foste fortaleza
Que sigo o meu; chorando e rido também

E nas madrugadas dolorosas de março
Quando a saudade em mim fizer ninho
Lembrarei de todo o nosso abraço

Talvez chore abraçado em teu linho
Desejando agarrar novamente teu braço
E lembrarei que seguiste teu caminho.

Thyago Carneiro Correia
2013/2014

segunda-feira, janeiro 30, 2012

Versos para Marina


Como uma menina tão pequenina
Faz o coração bater tão forte
Um amor maior que vida e morte
Uma linda menina chamada Marina

Veio ao mundo e a seus pais deu norte
Uma perola, morena, linda e genuína
Para amar, e só, essa é sua sina
E eu, pelo destino teu tio, que sorte

Garotinha, que mexeu com o mundo
Há pouco vieste, tendo o choro por canto
 E esse meu coração vagabundo

Envolveu-se em um amor profundo
Teu tio, minha sobrinha, tanto encanto
Tanto carinho, tanto amor, tanto

Thyago C Correia
30 de Janeiro 2012

quarta-feira, outubro 26, 2011

Um rock para Raul


Vinte cindo de outubro, já era tarde
Meu filho nessa hora nascia forte
Meu ilustre combatente, meu presente
Seu choro ecoava com alegria, com alarde

Meu filho, Raul, Vem ver o luar
Teu nome ao contrario, vem ver a força
Que brota do teu nome, és esperança
Vem junto de teu irmão, ensinar-me a amar

Vem cantar um belo rock para teu pai
Encantar o mundo com tua canção
Quando de tua boca sair um sonoro papai

Talvez nesse teu canto cheio de emoção
Teu pai possa esquecer toda a dor que cai
Sobre esse ombro cansado, esse coração.

Thyago C Correia
A meu filho Raul, no dia de seu nascimento.
25/10/2011

sexta-feira, maio 27, 2011

Vinte sete

Que dia? Podem perguntar que dia?

se médico, pajé, padre ou abadessa

Se já teve cólica, ou quem sabe dor de cabeça

Se já cantou, pulou ou gritou de euforia


E ainda sim nem uma pergunta responderia

E ainda sim nem uma palavra que forneça

Nem essa tentativa de poema expressa

O sentimento que como uma epidemia


Narre o que é esse teu dia, vinte sete

Não qualquer vinte sete que venera

Apenas um em meio a tantos compete


A alegria de completar contigo a primavera

E fazer feliz com o mais belo ramalhete

Dessa rosa que a todo ano mais prospera


Thyago C Correia

maio de 11

À Thiara pelo seu dia 27.

sexta-feira, janeiro 14, 2011

Adorável Canalha - Fabrício Carpinejar

Nunca me vi tão escrito, por alguém que não sou eu.



É um defeito, mas nada mais delicioso do que ouvir de uma mulher: "CANALHA!"


Ser chamado de "canalha" por uma voz feminina é o domingo da língua portuguesa. O som reboa redondo. Os lábios da palavra são carnudos. Vontade de morder com os ouvidos. Aproximar-se da porta e apanhar a respiração do quarto pela fechadura.

Canalha, definitivo como um estampido, como um tapa. Não ser chamado de canalha pela maldade, mas por mérito da malícia, como virtude da insinuação, pelo atrevimento sugestivo. Não o canalha canalha, mas o ca-na-lha, sem repetição. Único. Irrepetível. Não o canalha que deixa a mulher, o canalha que permanece junto. O canalha adorável que ultrapassou o sinal vermelho para levá-la. O canalha que é rude, nunca por falta de educação, para acentuar a violência do amor. Canalha por opção, não devido a uma infelicidade e limitação intelectual. Canalha em nome da inteligência do corpo.

O canalha. Como um elogio. Um elogio para dizer que é impossível domesticar esse homem, é impossível conter, é impossível fugir dele. Canalha como pós-graduação do "sem-vergonha".

Bem diferente de crápula, que não é sensual e define o mau-caratismo indelével, ou do cafajeste, alguém que não presta nem para ser canalha, de índole egoísta e aproveitadora.

Eu me arrepio ao escutar canalha. Um canalha que significa o contrário do dicionário. Nem perca tempo consultando o Aurélio e o Houaiss, que não incluem o sentimento da pronúncia. Estou falando do canalha que suscita aproximação, abraço, desejo. Um canalha que é um pedido de casamento entre as vogais.

É pelas expressões que se define a segurança masculina. Sempre duvidei de homem que diz que vai fazer xixi. Xixi é coisa de criança. Eu não represo a gargalhada quando um amigo adulto e de vida feita comenta que vai fazer xixi. Imagino o cara sentado. Infantil, como Ivo viu a uva. Já urinar é muito laboratorial. Prefiro mijar, direto, rápido e verdadeiro. As árvores mijam. Os relâmpagos mijam. Os cachorros mijam para demarcar seu território. Aliás, o correto é não anunciar, ir ao banheiro apenas, para evitar constrangimentos vocabulares.

Canalha funciona como uma agressão íntima. Uma agressão afetuosa. Uma provocação. Não se está concluindo, é uma pergunta. Canalha é uma interrogação gostosa.

Não ficarei triste se esquecer meu nome, chame-me de canalha.

domingo, dezembro 12, 2010

Versos de casamento

Hoje, é desses dias felizes, é dia de sorrisos.


A vida corre inevitavelmente para o futuro

E o futuro é sempre repleto de oportunidade

E ninguém encontra sozinho a felicidade

Estamos todos em busca de um parceiro


Achar esse parceiro é entrar no futuro

Aí é se atirar nele com toda intensidade

Então selamos o amor numa festividade

Casar é isso, selar um amor grande e puro


Casar é dividir, das flores o perfume e o orvalho

É juntos, a noite dormir e de manhã acordar

Se amarem não importando o que diga o espelho


Hoje você realiza o grande sonho de casar.

E em algum lugar o mais forte carvalho

Certamente abençoa esse seu amar


Thyago C Correia

Dezembro de 10

Para Guria, minha irmã mais nova, com amor e carinho todas as palavras que pude juntar.

domingo, novembro 28, 2010

Versos para Vito

Para onde fores, meu filho, lá estarei

Em cada tropeço, em cada alegria

Seremos um exemplo de sinergia

O que e quando precisares, eu serei.


O amigo no fim de tarde, meu rei

E no fim da tempestade a calmaria

Serei o abrigo e precisando de companhia

Lá estarei, essa será a nossa lei.


E quando precisares apenas de um abraço

Teu pai lá estará sempre de braços abertos

Porque é teu, do meu amor o maior pedaço


Lembre sempre que nos dias incertos

Nosso amor será um forte laço

Que nós une, assim eu te alerto

Novembro de 10

Thyago C Correia

quinta-feira, janeiro 07, 2010

Soneto

Se te magôo não é por não te amar
E se te faço chorar não é por maldade
Quando beijei outra boca tinha outra idade
E meu canto não tinha a ti para cantar

Se te firo não é por castigo
E se não te chamo não é desamor
Tua falta é meu maior pavor
Meu caminho é apenas contigo

Com amor e com muito afeto
Meus versos todos ti dedico
E por isso te fiz esse soneto

Esse meu amor por ti ratifico
Com essas rimas que inquieto
Apenas para ti fabrico.

Thyago C Correia
Janeiro de 2010

terça-feira, outubro 09, 2007

Do caos para o Kaows

Viemos do caos e para o caos voltaremos.

Do caos para o Kaows

A honra de ter-te me engrandece
Amigo mais honrado que encontrei
Teu nome no céu em preto escreverei.
E farei para ti minha melhor prece

Carvalho forte que nos envaidece
Ombro amigo que sempre nos apóia
Tua amizade, amigo, é uma bela jóia
Que aos teus amigos muito enriquece

E hoje quando me falam de luto
Lembro que ao teu lado apenas sorri
Pois sim, alegria contigo era o fruto

E quando gritarem que também morri
Amigos não vivam por mim em luto
Mas como vivo por ti, possam sorrir.

Thyago C Correia
09/10/07

sexta-feira, julho 27, 2007

Mesmo Sangue

Amizade é algo que mesmo com o passar dos anos, as brigas, as intrigas, as dores, sempre há de prevalecer.


Mesmo sangue
À Thyago

Tu há de apagar a última vela do castiçal
E também há de deixar de si a lembrança
A voz, a calma, e os anos da doce vingança
Cravejando em mim teu nome de serviçal.

Não te esquece de fechar a porta agora
Pois é frio o vento que sopra do poente
E a náu, longe, caminha lenta e doente
Na procisão de tantos dias de outrora


É o dia que anuncia o fim da caminhada
A noite tristemente alforia a alvorada
Madrugada nostalgica e o gosto do vinho

Partimos para onde a relva é mais densa
No refúgio do último poema que pensa
Querendo em cada mulher o mesmo ninho!


Di Cervantes
Julho de 2007

sexta-feira, outubro 14, 2005

Códices do amor despedaçado

Um dia tudo acaba, a alegria, a paixão, a dor, a vida. Disse certa vez um gênio chamado Nelson Rodrigues: O amor não acaba, se acabou não era amor, mas eu digo até o amor acaba um dia, se muito judiado.

Códices do amor despedaçado
À Di Cervantes

Códices que velam nosso amor
Destruídos como as asas de Ícaro
Certamente chegamos ao pícaro
De nossa existência cheia de dor

Quando um dia eu a ti for
Negarás o teu ombro, o teu acalento
Mas saibas que para ti não minto
Me negas a verdade de meu amor

E se um dia tu me bateres a porta
(Sei que isso chegará a acontecer)
Diferente de tu, vou te receber
Será a última vez que te abro a porta

E calado escutarei teu pranto
Até chorarei com você, mas uma vez
Aí já lembrando o que você me fez
Tu irás embora e nossa historia terá um ponto.

Thyago C Correia

segunda-feira, outubro 10, 2005

Nunca mais

A tempos não lia algo de tão bom gosto literário.
sublime, magnífico, maravilhoso.
Ótimo saber que tenho junto a mim uma das mentes mais brilhantes que tive o prazer de conhecer.

Nunca mais

Mais uma noite, buscava em minhas leituras um outro mundo. Algum que me tirasse deste, pois, para mim, já nada valia. Passava as madrugadas lendo até a exaustão e dessa forma resistia à amargura e à culpa que rondavam minha alma.
Tais sentimentos fizeram de mim um homem doente. Depois da ida da minha querida Leonora, os anjos que guardavam esta casa, trazendo harmonia e felicidade, se dispersaram e nunca mais voltaram. Dessa maneira, fiquei só e a solidão traz consigo coisas que muitas vezes podem ser perturbadoras para a consciência humana.
Naquela noite em especial, nenhuma leitura acalmava meu espírito. A tristeza do amor saudoso emergia em meu coração fazendo-o bater descompassado, como se algo no universo estivesse fora de seu lugar habitual. A tempestade que caía jazia as lágrimas da partida ainda sentida em meu ser.
Previ que seria uma noite longa como tantas outras que já vivi. Ares de outros mundos cobriam toda a casa e fazia daquele ambiente um espaço onde pairava o sonho, o invisível e eu já não sabia se meu solitário lar se encontrava na mesma rua em que sempre estivera. Num instante que os sonhos tentavam me conduzir a Morpheu, batidas em meus umbrais fizeram com que meus olhos despertassem daquela doce sedução que me entorpecia sem que, entretanto, a realidade voltasse a tomar conta do ambiente. A energia e a atmosfera mantiveram-se presentes e fizeram meu corpo levantar-se para ver, assim, que estranho visitante batia em meus umbrais.
No entanto, nada encontrei quando procurei o indivíduo que lá chamava com suas batidas. Com a sensação que tudo flutuava, como que se encontrasse em um diferente plano astral, chamei pela minha amada, pois naquela noite os umbrais que separavam os mundos estavam abertos, eu sentia.
Quando tais pensamentos me recorreram busquei qualquer sinal que trazia minha esposa ao seu antigo leito e novamente batidas ouvi. Da janela surgiu àquela entidade no cômodo em que fazia minhas leituras e que me conduziam a outros mundos.
Olhava-me com o olhar daquele que bem conhecia. Longas datas me ligavam àquele ser da noite. Brilhava com a certeza que seu olhar me atingia e me rasgava ainda mais em culpa e amargura.
De cima de minha Atena, aqueles olhos demoníacos faziam as lembranças de minha amada surgir em minha mente e respondiam as minhas perguntas sem que precisasse pronunciá-las. “Nunca mais”, dizia a ave agourenta para minha esperança de rever Leonora. “Nunca mais”, para a vinda da paz nesta casa solitária. “Nunca mais”, para que aquela visita, com seu olhar inquisidor, desaparecesse da minha existência.
Percebi, assim, que escravizado estava. Toda a eternidade, aquele ser permaneceria ao meu redor, lembrando-me de minha amada e da dor da culpa de perdê-la de forma tão inesperada aos meus olhos. Como eu imaginaria que ela partiria, uma simples febre a levaria junto às hostes celestiais! E o olhar daquele negro ser mostrava-me a negligência do meu amor à Leonora.
Despertando-me da magia daquele olhar que me prendia, um barulho fez-se na janela. Notei que ela abrira-se devido à tempestade que caia. Neste instante, percebi que de pé estava, diante do reflexo da minha imagem no espelho; entretanto, o olhar que lá se via era aquele que dizia a toda hora: “nunca mais”.

Marina Gama
Baseado no poema de Edgar allan Poe "O Corvo"